|
Segundo reportagem publicada na
revista Você S/A, houve um aumento de 30% nos salários dos
profissionais que atuam como gestores de projetos nas
empresas brasileiras. Esse executivo, responsável pelas
obras estruturais que fazem parte do planejamento
estratégico de uma companhia, como ampliação de fábrica,
construção de novas unidades ou da infraestrutura de
tecnologia, ficou mais disputado com os recentes
investimentos feitos na indústria. Sua missão é definir os
recursos necessários para realização de um projeto, de
matéria-prima a pessoal empregado, para garantir que ele
seja entregue dentro do cronograma e do orçamento previstos.
Como os projetos de novas plantas e ampliação de fábricas
começaram a pipocar, ficou evidente que faltava gente no
mercado para dar conta de tudo o que está sendo erguido. E
os ganhos se inflacionaram por causa disso.
A Sadia, uma das líderes nacionais na produção de alimentos
de origem animal, elaborou um pacote especial de remuneração
para os executivos da área e vai abrir dez vagas ao longo do
ano. A companhia está executando em 2008 o maior plano de
investimentos da sua história, no valor de 1,6 bilhão de
reais, destinado à construção de novas unidades no Brasil e
no exterior. Para isso, vai treinar profissionais da casa e
também buscar gente no mercado. A empresa procura quem tem
experiência de pelo menos dois anos em projetos e
disponibilidade para viajar ou morar em cidades com pouca
infraestrutura. A Sadia reajustou em até 25% os salários da
área e vai arcar com custos de mudança e moradia. “Esses
profissionais tendem a ser os mais valorizados da empresa”,
diz Walmor Savoldi, diretor de planejamento da Sadia.
8 000 PARA NOVATOS
Para desempenhar a tarefa, muitas companhias empregam um
engenheiro júnior, um coordenador, um gerente e um diretor
de projetos. Muitas vezes, não é fácil encontrar candidatos
preparados para assumir a responsabilidade. “O gestor de
projetos é o grande agente do crescimento das empresas”, diz
o consultor Victor Varandas, da Michael Page. Na consultoria
de recrutamento de executivos, com sede em São Paulo, a
demanda pelos gestores aumentou 40% no primeiro trimestre
deste ano. Foram 30 vagas abertas. Hoje, 15 delas ainda não
foram preenchidas. A formação preferida pelas empresas é
engenharia mecânica, química ou metalurgia. O salário varia
de 8 000 reais, para um engenheiro júnior com dois anos de
experiência e sem certificação, a 20 000 reais, para
gerentes de projetos com 15 a 20 anos de experiência.
Profissionais que atuam como pessoa jurídica chegam a ganhar
40 000 reais.
A falta de gente com experiência na área se deve, em parte,
à estagnação econômica das últimas décadas, que desencorajou
novos investimentos na produção. Em geral, a metodologia e a
carreira de gestão de projetos ainda estão engatinhando no
Brasil. Segundo um estudo divulgado em 2007 pelo Project
Management Institute (PMI), entidade americana de promoção
do gerenciamento de projetos, 20% das 184 empresas
consultadas ainda não reconhecem a atividade. E apenas 34%
têm profissionais exclusivos para a função.
TI DEU A LARGADA
Os setores em que a carreira de gerente de projetos é mais
reconhecida são tecnologia, consultoria, construção e
finanças. Mas a expectativa é de expansão. “A onda começou
nas grandes empresas de TI, mas está se espalhando para
outras áreas”, diz Luís Augusto dos Santos, presidente do
PMI em São Paulo. A entidade, que oferece o certificado
internacional em gestão de projeto mais reconhecido no
mercado, tem 4 500 associados no Brasil, número que cresce
12% ao ano. Já o número de profissionais certificados no
país é de pouco mais de 2 000 pessoas. O engenheiro civil
Eduardo D’Araújo, de 33 anos, já concluiu o curso
preparatório e vai fazer a prova do PMI nos próximos meses.
Sua experiência de quatro anos como coordenador de projetos
de uma unidade da construtora, com sede em São Paulo, já foi
suficiente para despertar o interesse do mercado. “Recebo de
duas a três propostas por mês”, diz.
Para ser gerente de projeto de carteirinha o executivo
precisa comprovar três anos de experiência na área, fazer
curso preparatório e prova. Hoje fica mais fácil preparar-se,
pois a oferta de pós-graduação em gerenciamento de projetos
está crescendo. Os profissionais têm ainda como opção tirar
o IPMA, certificado de origem europeia, que também exige
experiência em campo. As certificações não são obrigatórias
para atuar na área, mas podem vir a ser. A Método, por
exemplo, lançou um programa de treinamento para que todos os
seus gerentes e diretores de área sejam certificados. Eles
certamente terão mais portas abertas depois do “diploma”.
|